20/05/2012 - Os sinais que acompanham a Boa Nova - Mesters e Lopes

Blog de lectiodivina :Inscreva-se no nosso Curso Biblico: cursobiblicoonline2012@hotmail.com, 20/05/2012 - Os sinais que acompanham a Boa Nova - Mesters e Lopes

Texto extraído do livro "Caminhando com Jesus: Círculos Bíblicos de Marcos - 2ª parte". Coleção a Palavra na Vida 184/185. Autores: Carlos Mersters e Mercedes Lopes. Uma publicação do CEBI. Mais informações pelo endereço vendas@cebi.org.br

Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não terem acreditado nas pessoas que o tinham visto ressuscitado. Novamente, Marcos se refere à resistência dos discípulos em crer no testemunho daqueles e daquelas que experimentaram a ressurreição de Jesus. Por que será? Provavelmente, para ensinar duas coisas. Primeiro, que a fé com Jesus passa pela fé nas pessoas que dão testemunho dele. Segundo, que ninguém deve desanimar, quando a descrença nasce no coração. Até os onze discípulos tiveram dúvidas!

Em seguida, Jesus lhes dá a missão de anunciar a Boa Nova a toda criatura. A exigência que ele coloca é esta: crer e ser batizado. Aos que tiverem a coragem de crer na Boa Nova e forem batizados, ele promete os seguintes sinais: expulsarão demônios, falarão línguas novas, pegarão em serpentes e não serão molestados pelo veneno, imporão as mãos aos doentes e eles ficarão curados. Isto acontece até hoje: 

  • EXPULSAR OS DEMÔNIOS: é combater o poder do mal que estraga a vida. A vida de muita gente ficou melhor pelo fato de ter entrado na comunidade e de ter começado a viver a Boa Nova da presença de Deus em sua vida.
  • FALAR LÍNGUAS NOVAS: é começar a comunicar-se com os outros de maneira nova. Às vezes, encontramos uma pessoa que nunca vimos antes, mas parece que já nos conhecemos há muito tempo. É porque falamos a mesma língua, a língua do amor.
  • VENCER O VENENO: há muita coisa que envenena a convivência. Muita fofoca que estraga o relacionamento entre as pessoas. Quem vive a presença de Deus dá a volta por cima e consegue não ser molestado por este veneno terrível.
  • CURAR DOENTES: em todo canto onde aparece uma consciência mais clara e viva da presença de Deus aparece também um cuidado especial para com as pessoas excluídas e marginalizadas, sobretudo para com os doentes. Aquilo que mais favorece a cura é a pessoa sentir-se acolhida e amada.

Através da comunidade Jesus continua a sua missão (Marcos 16, 19-20):  O mesmo Jesus que viveu na Palestina e lá acolhia os pobres do seu tempo, revelando assim o amor do Pai, este mesmo Jesus continua vivo no meio de nós, nas nossas comunidades. E através de nós, ele continua a sua missão para revelar a Boa Nova do amor de Deus aos pobres. Até hoje, a ressurreição acontece. Ele nos leva a cantar: "Quem nos separará, quem vai nos separar do amor de Cristo, quem nos separará?"

Poder nenhum deste mundo é capaz de neutralizar a força que vem da fé na ressurreição (Rm 8,35-39). Uma comunidade que quiser ser testemunha da ressurreição deve ser sinal de vida, deve lutar contra as forças da morte, para que o mundo seja um lugar favorável à vida, deve crer no outro mundo possível. Sobretudo aqui na América Latina, onde a vida do povo corre perigo por causa do sistema de morte que nos foi imposto, as comunidades devem ser uma prova viva da esperança que vende o mundo, sem medo de ser feliz!

As surpresas de Deus: Estamos no fim da leitura do Evangelho de Marcos. Procuramos saber quem é Jesus. Marcos enumerou muitos nomes e títulos. Mas um nome ou título, por mais bonito ou importante que seja, nunca chega a revelar o mistério da pessoa, muito menos da pessoa de Jesus. Além disso, ao longo do Evangelho, alguns dos nomes dados a Jesus, inclusive os mais importantes e os mais tradicionais, foram questionados e colocados em dúvida pelo próprio Marcos. Assim, na medida em que avançávamos a leitura, fomos obrigados a rever nossas ideias e a nos perguntar, cada vez de novo: "Afinal, quem é Jesus para mim, para nós?"

Bem no início do evangelho, a primeira exigência era esta: "Esgotou-se o prazo. O Reino de Deus chegou! Mudem de vida! Tenham fé nesta Boa Notícia!" (Mc 1,15). Este pedido inicial de conversão e de fé indica a porta por onde temos acesso a Jesus e à Boa Nova de Deus que ele nos traz. Não há outro acesso. A fé exige crer em Jesus, na sua Palavra, aceitá-lo sem impor condições. Somos convidados a não nos fechar em nenhum nome ou título, doutrina ou costume, e a manter-nos sempre abertos para as surpresas de Deus, que pedem uma conversão constante.

Os nomes e os títulos, as doutrinas e os costumes, as devoções e as rezas são como o crachá que carregamos no peito para identificação. O crachá é importante, pois nos ajuda e nos orienta para encontrar a pessoa que procuramos. Mas quando a encontrar, você já não olha o crachá, mas sim o rosto! A pessoa que você procura, quando a encontrar, quase sempre será diferente da ideia que você fazia a respeito dela. O encontro sempre traz surpresas! Sobretudo o encontro com Deus em Jesus.

Ao longo do Evangelho de Marcos, as surpresas de Deus são muitas, e elas vêm de onde menos se espera:

  • de um pagão que reconheceu a presença de Deus no crucificado (Mc 15,39);
  • de uma pobre viúva que ofereceu do seu necessário para partilhar com os outros (Mc 12,43-44);
  • de um cego cujos gritos incomodaram e que nem sequer tinha a doutrina certa (Mc 10,46-52);
  • dos pequenos que viviam marginalizados, mas creram em Jesus (Mc 9,42);
  • dos grupos que usavam o nome de Jesus para combater o mal, mas não eram da "Igreja" (Mc 9,38-40);
  • de uma senhora anônima, cuja atividade escandalizava os discípulos (Mc 14,3-9);
  • de um pai de família que foi forçado a carregar a cruz atrás de Jesus e tornou-se discípulo modelo (Mc 15,21);
  • de José de Arimatéia, que arriscou tudo pedindo o corpo de Jesus para poder enterrá-lo (Mc 15,43);
  • das mulheres que, naquela época, não eram reconhecidas como testemunhas oficiais, mas que foram escolhidas por Jesus para serem testemunhas qualificadas da sua ressurreição (Mc 15,40.47; 16,6.9-10).

Resumindo. Os doze homens, especialmente chamados e eleitos por Jesus (Mc 3,13-19) e por ele enviados em missão (Mc 6,7-13), fracassaram. Mas no reverso do fracasso deles apareceu a força da fé de outros que não faziam parte do grupo dos doze eleitos. A comunidade, a Igreja, deve ter consciência bem clara de que ela não é proprietária de Jesus, nem tem o controle dos critérios da ação de Deus no meio de nós. Jesus não é nosso, mas nós, a comunidade, a Igreja, somos de Jesus, e Jesus é de Deus (1Cor 3,23).

quinta 17 maio 2012 04:27 , em EVANGELHO DOMINICAL


CURSO BIBLICO ONLINE 2012

Blog de lectiodivina :Inscreva-se no nosso Curso Biblico: cursobiblicoonline2012@hotmail.com, CURSO BIBLICO ONLINE 2012

A CAJULA – Casa da Juventude Lateranense - em parceria com CBV – Centro Bíblico Verbo - tem o prazer de anunciar e divulgar  -  Curso Bíblico Online 2012

Objetivo: Realizar um estudo Online desenvolvendo uma leitura exegética, ecumênica e popular dos textos bíblicos, fornecendo elementos para as pessoas se apropriarem do método histórico-critico e sociológico, tornando-as autônomas na leitura e trabalho com o texto bíblico. Desta forma a pessoa estará completamente habilitada para entender os textos bíblicos levando em conta o contexto em que foram escritos. Você duvida? Então faça a sua inscrição e comece a experimentar e sentir uma transformação muito grande nos seus conhecimentos sobre a PALAVRA DE DEUS.

Para quem? Para Catequistas, Ministros da Palavra, Jovens, Religiosos/as e todos os agentes de pastorais que desejam estudar a Bíblia à partir da vida, “para ouvir o mesmo Deus que falou ontem falar hoje”.

Conteúdo: Inicialmente iremos estudar Genesis de 1 a 11, mas já está em preparação os seguintes temas: Leitura Orante da Bíblia (lectio divina); Evangelho de Marcos, Mateus, Lucas e João; Atos dos Apóstolos; As cartas de Pedro; Segundo e Terceiro Isaías (40-66); Oseías; Entendendo o livro de Eclesiastes; Entendendo a Primeira Carta aos Coríntios; Entendendo a Carta aos Filipenses; Entendendo o livro de Jonas; Entendendo o livro do Êxodo 15,22-18,27; Formação do Povo de Israel até o domínio dos Macabeus; Domínio Romano, desde Jesus histórico até o Apocalipse.

Duração:  Cada tema terá entre oito a dez lições as quais serão enviadas no formato PDF a cada quinze dias para o e-mail das pessoas inscritas. Inicialmente iremos estudar em seis meses, Genesis de 1 a 11.

Assessor: Pe.Ray

Coloboração: R$ 10,00 (dez reais) para cada tema de estudo. O depósito poderá ser feito através do banco Bradesco  -  Agência: 2391 - Conta Poupança 1007983-7

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quinta 22 dezembro 2011 15:03 , em CURSO BIBLICO ONLINE


13/05/2012 - Assim como meu Pai me ama, eu amo vocês

Blog de lectiodivina :Inscreva-se no nosso Curso Biblico: cursobiblicoonline2012@hotmail.com, 13/05/2012 - Assim como meu Pai me ama, eu amo vocês

Texto extraído do Livro Raio-X da Vida - Círculos Bíblicos do Evangelho de João. Coleção A Palavra na Vida. Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino.

Os capítulos 15 até 17 de João trazem vários ensinamentos muito bonitos, fruto da catequese nas comunidades do Discípulo Amado. O evangelista os juntou e colocou aqui no ambiente amigo do último encontro de confraternização de Jesus com os discípulos. Acompanhe.  

João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria: Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: "Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor". É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: "Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa".

João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou. O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"

João 15,14-15 Amigos e não empregados "Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até a doação total de si! Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Ele diz: "Não chamo vocês de empregados, mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!" Jesus não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos à total transparência, ao ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).

João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"

 ALARGANDO

Jesus é a sabedoria de Deus Para as primeiras comunidades, Jesus é a manifestação da multiforme Sabedoria de Deus (Ef 3,10). Ele é a Sabedoria de Deus (1Cor 1,24). Mas esta ligação entre Jesus e a Sabedoria de Deus aparece com maior evidência no Evangelho de João. Desde o Prólogo, podemos perceber como as comunidades do Discípulo Amado gostavam de contemplar Jesus como a Sabedoria que existia em Deus antes da criação do mundo (Jo 1,2-5; Sb 6,22). Como a Sabedoria, somente Jesus conhece os mistérios de Deus e os revela à humanidade (Jo 3,11-12; Sb 9,9-18). Há várias outras características da Sabedoria de Deus, acentuadas no Antigo Testamento, que são usadas no Evangelho de João para dizer quem é Jesus para nós.

  1. A Sabedoria convida o povo para um banquete (Pr 9,1-6). Ela diz: "Quem me come terá ainda mais fome e quem me bebe terá ainda mais sede" (Eclo 24,21). No Evangelho de João, Jesus diz: "Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede" (Jo 6,35).
  2. A Sabedoria é "um reflexo da luz eterna" (Sb 7,26). Jesus diz: "Eu sou a luz do mundo" (Jo 1,5; 8,12; 9,5).
  3. A Sabedoria diz: "Quem me encontra, encontra a vida" (Pr 8,35). Jesus diz: "Eu sou a ressurreição e a vida!" (Jo 1,4; 11,25; 14,6).
  4. A Sabedoria é fonte de água (Eclo 24,30-31). Jesus diz: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba!" (Jo 7,37).
  5. A Divina Sabedoria é uma videira graciosa com muitos ramos, carregada de flores e frutos. Ela convida as pessoas para que venham fartar-se dos seus frutos e experimentar a doçura de seu mel (Eclo 24,17-22). Jesus diz: "Eu sou a videira, vocês são os ramos" (Jo 15,5). Quem fica unido a ele produz muitos frutos (Jo 15,8). Sobre a Sabedoria no Evangelho de João, veja Alargando no 1º Círculo deste Livro.

sexta 11 maio 2012 17:08 , em EVANGELHO DOMINICAL


06/05/2012- Eu sou a videira, vocês são os ramos - Jo 15,1-8

Blog de lectiodivina :Inscreva-se no nosso Curso Biblico: cursobiblicoonline2012@hotmail.com, 06/05/2012-  Eu sou a videira, vocês são os ramos  - Jo 15,1-8

Texto extraído do Livro "Raio-X da Vida- Círculos Bíblicos do Evangelho de João". Coleção A Palavra na Vida 147/148. Autoria de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino.

Em seu discurso, Jesus usa a comparação da videira, a planta que dá uva. Para um ramo ou um galho poder dar fruto é necessário que ele fique unido ao tronco e que, de vez emquando, passe por uma boa poda. A comunidade é como uma videira. Por vezes, ela passa por momentos difíceis. É o momento da poda, necessário para que ela produza mais frutos.

Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.

* João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira: No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!". A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.

* João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola: Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!" Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!

* João 15,7-8: Permanecer no amor: Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!" Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

quinta 03 maio 2012 09:23 , em EVANGELHO DOMINICAL


29/04/2012 - Jesus é o Bom Pastor (Jo 10,11-18) - Mesters, Lopes e Orofino

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Texto extraído do Livro "Raio-X da Vida - círculos bíblicos do Evangelho de João". Coleção A Palavra na Vida 147/148 - Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino.   

SITUANDO

Jesus é o Bom Pastor que veio para que todos tenham vida em abundância! O discurso sobre o Bom Pastor traz três comparações ligadas entre si: Jesus fala do pastor e dos assaltantes (Jo 10,1-5); Jesus é a porteira das ovelhas (Jo 10,6-10); Jesus é o Bom Pastor (Jo 10,11-18).

Temos aqui um outro exemplo de como foi escrito o Evangelho de João. O discurso de Jesus sobre o Bom Pastor (Jo 10, 1-18) é como um tijolo inserido numa parede já pronta. Com ele a parede ficou mais forte e mais bonita. Imediatamente antes, em Jo 9,40-41, João falava da cegueira dos fariseus. A conclusão natural desta discussão sobre a cegueira está logo depois, em Jo 10,19-21. Ora, o discurso sobre o Bom Pastor foi inserido aqui, porque, como veremos, ensina como tirar esse tipo de cegueira dos fariseus.

COMENTANDO

João 10,1-5: 1ª comparação: entrar pela porteira e não por outro lugar.  Jesus inicia o discurso com a comparação da porteira: "Quem não entra pela porteira mas sobe por outro lugar é ladrão e assaltante! Quem entra pela porteira é o pastor das ovelhas!" Naquele tempo, os pastores cuidavam do rebanho durante o dia. Quando chegava a noite, levavam as ovelhas para um grande redil ou curral comunitário, bem protegido contra ladrões e lobos. Todos os pastores de uma mesma região levavam para lá o seu rebanho. Um porteiro tomava conta de tudo durante a noite. No dia seguinte, de manhã cedo, o pastor chegava, batia palmas na porteira e o porteiro abria. O pastor entrava e chamava as ovelhas pelo nome. As ovelhas reconheciam a voz do seu pastor, levantavam e saiam atrás dele para a pastagem. As ovelhas dos outros pastores ouviam a voz, mas elas não se mexiam, pois era uma voz estranha para elas. De vez em quando, aparecia o perigo de assalto. Ladrões entravam por um atalho ou derrubavam a cerca do redil, feita de pedras amontoadas, para roubar as ovelhas. Eles não entravam pela porteira, pois lá havia o guarda que tomava conta.

João 10,6-10: 2ª comparação: Jesus é a porteira.  Os ouvintes, os fariseus (Jo 9,40-41), não entenderam o que significava "entrar pela porteira". Jesus então explicou: "Eu sou a porteira das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes". De quem Jesus está falando nesta frase tão dura? Provavelmente, se referia a líderes religiosos que arrastavam o povo atrás de si, mas que não respondiam às esperanças do povo. Não estavam interessados no bem do povo, mas sim no próprio bolso e nos próprios interesses. Enganavam o povo e o deixavam na pior. Entrar pela porteira é o mesmo que agir como Jesus agia. O critério básico para discernir quem é pastor e quem é assaltante, é a defesa da vida das ovelhas. Jesus pede para o povo não seguir as pessoas que se apresentam como pastor, mas não buscam a vida do povo. É aqui que ele disse aquela frase que até hoje cantamos: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância!" Este é o critério!

João 10,11-15: 3ª comparação: Jesus é o bom pastor.  Jesus muda a comparação. Antes, ele era a porteira das ovelhas. Agora, é o pastor das ovelhas. Todo mundo sabia o que era um pastor e como ele vivia e trabalhava. Mas Jesus não é um pastor qualquer, mas sim o bom pastor! A imagem do bom pastor vem do AT. Dizendo que é o Bom Pastor, Jesus se apresenta como aquele que vem realizar as promessas dos profetas e as esperanças do povo. Veja por exemplo a belíssima profecia de Ezequiel (Ez 34,11-16). Há dois pontos em que Jesus insiste: (1) Na defesa da vida das ovelhas: bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. (2) No mútuo reconhecimento entre pastor e ovelhas: o Pastor conhece as suas ovelhas e elas conhecem o pastor. Jesus diz que no povo há uma percepção para saber quem é o bom pastor. Era isto que os fariseus não aceitavam. Eles desprezavam as ovelhas e as chamavam de povo maldito e ignorante (Jo 7,49; 9,34). Eles pensavam ter o olhar certo para discernir as coisas de Deus. Na realidade eram cegos. O discurso sobre o Bom Pastor ensina duas regras como curar este tipo bastante frequente de cegueira: 1) Prestar muita atenção na reação das ovelhas, pois elas reconhecem a voz do pastor. 2) Prestar muita atenção na atitude daquele que se diz pastor para ver se o interesse dele é a vida das ovelhas, sim ou não, e se ele é capaz de dar a vida pelas ovelhas. Certa vez, na festa da tomada de posse de um novo bispo, as "ovelhas" colocaram uma faixa na porta da igreja que dizia: "As ovelhas não conhecem o pastor!" As "ovelhas" não foram consultadas. Advertência séria para quem nomeia os bispos.

João 10,16-18: A meta onde Jesus quer chegar: um só rebanho e um só pastor Jesus abre o horizonte e diz que tem outras ovelhas que não são deste redil. Elas ainda não ouviram a voz de Jesus, mas quando a ouvirem, vão perceber que ele é o pastor e vão segui-lo. É a dimensão ecumênica universal.

 ALARGANDO

A Imagem do Pastor na Bíblia Na Palestina, a sobrevivência do povo dependia em grande parte da criação de cabras e ovelhas. A imagem do pastor guiando suas ovelhas para as pastagens era conhecida por todos, como hoje todos conhecem a imagem do motorista de ônibus. Era normal usar a imagem do pastor para indicar a função de quem governava e conduzia o povo. Os profetas criticavam os reis por serem maus pastores que não cuidavam do seu rebanho e não o conduziam para as pastagens (Jr 2,8; 10,21; 23,1-2). Esta crítica dos maus pastores foi crescendo na mesma medida em que, por culpa dos reis, o povo acabou sendo levado para o cativeiro (Ez 34,1-10; Zc 11,4-17).

Diante da frustração sofrida com os desmandos dos maus pastores, aparece a comparação com o verdadeiro pastor do povo, que é o próprio Deus: "O Senhor é meu pastor e nada me falta" (Sl 23,1-6; Gn 48,15). Os profetas esperam que, no futuro, Deus venha, ele mesmo, como pastor guiar o seu rebanho (Is 40,11; Ez 34,11-16). E esperam que, desta vez, o povo saiba reconhecer a voz do seu pastor: "Oxalá ouvísseis hoje a sua voz!" (Sl 95,7). Esperam que Deus venha como Juiz que fará o julgamento entre as ovelhas do rebanho (Ez 34,17). Surgem o desejo e a esperança de que, um dia, Deus suscite bons pastores e que o messias seja um bom pastor para o povo de Deus (Jr 3,15; 23,4).

Jesus realiza esta esperança e se apresenta como o Bom Pastor, diferente dos assaltantes que roubam o povo. Ele se apresenta também com o Juiz do povo que, no final, fará o julgamento como um pastor que sabe separar as ovelhas dos cabritos (Mt 25,31-46). Em Jesus se realiza a profecia de Zacarias que diz que o bom pastor será perseguido pelos maus pastores, incomodados pela denúncia que ele faz: "Vão bater no pastor e as ovelhas se dispersarão!" (Zc 13,7). No fim, Jesus é tudo: é a porteira, é o pastor e é o cordeiro!

sexta 27 abril 2012 22:53 , em EVANGELHO DOMINICAL


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